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Jornalismo automotivo - Ano 1

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Bruno Galhardi




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Pela Glória e pela Pátria... e pelo retorno do esporte!

 

Para a minha geração, nascida na segunda metade da década de 80, Fórmula 1 são lembranças vagas dos domingos de Ayrton Senna, o marco de 94, e ascensão de Schumacher e hegemonia da Ferrari por longos anos, com toda a pressão em cima de Rubens Barrichello. Uma visão simplista, que leva ao desinteresse a maioria dos espectadores médios após a morte de Senna.

Dizem que a História não nos ensina nada, mas para entender o cenário da F1 atual, e até mesmo do automobilismo esportivo, analisar os caminhos traçados no passado é no mínimo produtivo. É o que se propõe, ao menos em relação a carreira de pilotos nacionais, "Fórmula 1 - Pela Glória e Pela Pátria" (Ed. Globo, 1994, 310 págs., R$35,00), do jornalista Eduardo Correa, um dos mais respeitados "especialistas amadores" do automobilismo no Brasil.

A edição que tenho em mãos é a primeira, lançada em 1994, e não apresenta o texto reeditado, com a entrevista de Senna horas antes do acidente, e a trajetória dos brazucas até o ano 2000 na categoria. Mesmo sem o trecho importante, impossível ao fã não marejar os olhos nas descrições detalhadas das vitórias espetaculares de Ayrton.

E, antes disso, graças ao texto de um verdadeiro amante do esporte, é possível enxergar o cenário hostil que aguardava os pioneiros irmãos Fittipaldi, imaginar os circuitos de base europeus, com um nível de competição que beirava a marginalidade nos paddocks, e ver um Piquet arrogante, saído de uma oficina e que nunca largou a cultura da graxa.

Outro mérito: não tem preço ver de perto os grandes figurões da F1 desfilando diante dos olhos. Do leitor iniciado, o livro com certeza arrancará um sorriso ao apresentar as excentricidades aerodinâmicas (que, diga-se, revolucionaram o automobilismo) do lendário Colin Chapman, o mago da Lotus, e um sentimento de revolta com o viés de mercenário e magnata que Bernie Ecclestone, o chefe comercial da F1, carrega.  

É inegável a certa dose de ufanismo, onde nunca há brasileiros com performances miseráveis na categoria. Mas a idéia defendida por Correa é esta mesma: a hegemonia conquistada pelos brasileiros no automobilismo de competição vem dos esforços que transcendem os lucros; corremos e ganhamos para entrar para a história e levar a bandeira até o topo do pódio. Ao perdermos essa qualidade, perdemos nosso lugar ao sol.

Utopia fora de moda? Talvez, mas com certeza o livro irá despertar saudade até em leitores que não viram a era de ouro da F1. Uma obra obrigatória para fanáticos pelo esporte, e uma excelente diversão para os apreciadores de automobilismo.

Leia mais:

Visite o GP Total, o site de Eduardo Correa sobre automobilismo



- Postado por: ARO 18 às 20h51
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